Vitamina D: discussão sobre a suplementação para prevenir doenças

Embora ainda não exista um consenso entre pesquisadores e médicos, o fato é que a vitamina D tem ganhado adeptos por todo lugar. Um novo estudo, publicado pelo The Lancet que relata uma revisão sistemática de mais de 450 relatórios científicos voltados para os efeitos de suplementos de vitamina D, mostra ser desnecessário o uso da suplementação, quando as pessoas estão saudáveis e com os níveis normais no sangue.

O neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo, recomenda o uso da vitamina D como forma de combater os efeitos da esclerose múltipla (EM) já estabelecida e como forma de prevenção de doenças autoimunes. Profissionais de saúde mais conservadores recomendam apenas a exposição solar, bem como a alimentação como forma natural de obter a vitamina D.

Mas, de acordo com a nutricionista Claudia Torquato, farmacêutica e bioquímica da Oligoflora, por ser uma vitamina lipossolúvel, são poucos ou alimentos considerados fonte. Dentre os mais comuns estão a gema do ovo, o fígado, a manteiga e pescados gordos (principais são arenque e cavala, em menor concentração no atum e sardinha enlatados). Além do óleo de fígado de bacalhau, óleo de salmão, ostras cruas, leite fortificado, carnes de frango, peru, porco e vísceras, e carne bovina. Aliás, o uso da vitamina tem sua origem no uso disseminado do óleo de bacalhau.

Pelo motivo de que boa parte das pessoas viverem – cerca de 80% delas – num ambiente urbano, e passarem grandes períodos de tempo em locais fechados e não se expõem ao sol, o cardiologista Oswaldo Grecco, de Rio Preto, também reforça a importância da vitamina D como forma de se proteger o coração. Uma vez que a sua carência pode, se for prolongada, levar ao acúmulo de cálcio na artéria, favorecendo o risco de formação de placas.

“As chances de desenvolver doenças cardiovasculares como insuficiência cardíaca, derrame e infarto são maiores em pessoas com deficiência de vitamina D”, afirma o médico. O cardiologista lembra que por ela participar do controle das contrações do músculo cardíaco, necessárias para bombear o sangue para o corpo, a vitamina permite o relaxamento dos vasos sanguíneo e influencia na produção do principal hormônio regulador da pressão arterial, a renina (enzima circulante).

O cardiologista cita um estudo em que pesquisadores acompanharam por 16 anos mais de 26 mil participantes da população européia e americana, com idades entre 50 e 79 anos. A avaliação de oito estudos foi realizado por pesquisadores da Division of Clinical Epidemiology and Aging Research, do German Cancer Research Center, na Alemanha.

No estudo, os pesquisadores descobriram uma associação entre baixos níveis de vitamina D e mortalidade por todas as causas – incluindo doenças cardiovasculares e câncer. Durante o acompanhamento, aconteceram 6.695 óbitos, sendo 2.624 mortes por doenças cardiovasculares e 2.227 por cancro. Foi encontrada uma ligação entre os participantes com os níveis mais baixos de vitamina D – como determinado pelo exame 25-hidroxivitamina-D – e morte por doenças cardiovasculares. Esta associação foi encontrada em participantes com e sem histórico da doença.

Uso no tratamento de esclerose múltipla

O ortopedista Caio Gonçalves de Souza, do Hospital das Clínicas, de São Paulo, afirma que é possível encontrar uma série de evidências científicas que relaciona a deficiência de vitamina D a uma série de doenças. “Quando medimos os níveis de vitamina D em pessoas doentes, sempre encontramos níveis reduzidos. Se a pessoa tem câncer, doença cardíaca, diabetes, demência, depressão, doença autoimune ou praticamente qualquer outra doença, o nível de vitamina D é geralmente baixo.

Daí, o conceito de que a deficiência de vitamina D torna as pessoas doentes. E a crença de que prescrevendo a vitamina D, a pessoa ficará bem”, explica. Segundo Souza, os autores do novo estudo concluem que níveis baixos de vitamina D são um efeito da doença, e não uma causa. Os pesquisadores chegaram a esta afirmação por meio da análise de estudos em que as pessoas foram tratadas com vitamina D e, em seguida, examinadas, em intervalos regulares, para determinar se a vitamina D tinha afetado seu estado de saúde.

“Os resultados foram consistentes em praticamente todos os estudos. Suplementos de vitamina D não reduziram o risco de desenvolver estes problemas de saúde”, explica. Para a portadora de esclerose múltipla, a professora Fabiana Dal Ri Barbosa, de São Carlos, não resta dúvida do benefício do uso da vitamina. A professora mantém um blog (www.avidacomesclerosemultipla.com.br), em que compartilha suas experiências.

Ela passou a tomar a vitamina D, tão logo seu médico lhe indicou como suplemento leve. “Depois de fazer alguns exames de sangue e ele participar de varias conversas com um endocrinologista, foi aumentando a minha dose até chegar no que estou tomando hoje, 10 mil unidades por dia. Ele está sempre dizendo que acredita que assim ficarei mais protegida. Eu me sinto muito bem, obrigada. Acredito que como todo mundo uns dias melhores do que outros”, diz.

Experiência clínica

O cardiologista rio-pretense Oswaldo Greco afirma que, além das doenças já citadas, a falta da vitamina leva ao aumento dos problemas cardíacos, a osteoporose, a gripe e ao resfriado. Ele afirma que vários estudos apontam para o fato de que em mulheres grávidas deficiência de vitamina D aumenta o risco de aborto, favorece a pré-eclâmpsia – pressão alta na gestação – e eleva as chances da criança ser autista.

O médico lembra ainda que, embora esteja presente em alimentos de origem animal, estas comidas não possuem a quantidade de vitamina D que o organismo necessita. “Por isso, para evitar a carência da substância é importante tomar de 15 a 20 minutos de sol ao dia. Braços e pernas devem estar expostos, pois a quantidade de vitamina D que será absorvida é proporcional a quantidade de pele que está exposta”, explica.

O neurologista Cícero Coimbra, da Unifesp, rebate as críticas sobre não ter estudos científicos que comprovem o êxito da vitamina D, no combate a esclerose múltipla, com a informação de que há mais de 40 anos, se estuda os benefícios desta vitamina no sistema imunológico. Ele explica que há mais de 11 anos, começou a aplicar o método natural, nas pessoas com a esclerose múltipla, ou seja, recomendava que ficassem ao sol, e recebessem a exposição solar como forma de reconhecer benefícios.

Hoje, já sabe que só o sol não é suficiente no caso deles, e por isto, faz a suplementação com base em sua experiência em consultório. Ao longo de dois anos, e após quatro consultas, eles não só ficam livres dos efeitos colaterais da medicação, como também observa que eles estão aptos a receberem alta. Por outro lado, o neurologista reconhece que o uso de altas doses de vitamina D, sem acompanhamento médico, pode causar sérios riscos à saúde.

Algo que não tem qualquer risco é a pessoa saudável consumir no máximo 10 mil unidades diárias. Esta quantidade, entretanto, não irá alterar em nada a vida de portadores de doenças autoimunes, já que estes necessitam de doses mais elevadas. Mas, é preciso que o médico prescreva e acompanhe com exames até chegar a dosagem ideal.

Saiba Mais

:: A Organização Mundial de Saúde recomenda que a maior parte dos adultos deve ingerir 800 unidades internacionais (UI) de vitamina D por dia. Algumas sociedades médicas recomendam até um mil UI. Com uma exposição adequada à luz solar e com a ingestão de alguns alimentos ricos ou enriquecidos com vitamina D, esse processo torna-se mais fácil. Poucas pessoas precisam realmente de um suplemento para atingir estes níveis recomendados

Saiba Mais

Como obter

:: A maior fonte de vitamina D é a produção endógena por meio da exposição do corpo ao sol. Os raios ultravioletas sob a pele viabiliza a fotoconversão da provitamina D3 em pré-vitamina D3. A limitação para esta conversão são idade, pigmentação da pele (negros produzem menos vitamina D), protetor solar (bloqueia a ação dos raios UV), vestuários (que protegem muito o corpo do sol), poluição e países distantes da linha do Equador. Hoje, grande parte das pessoas que se expõe pouco ao sol, apresenta deficiência de vitamina D e precisam de suplementação oral.

:: A pele produz vitamina D numa rapidez extraordinária. A produção após poucos minutos de exposição solar excede facilmente as fontes alimentares. Eemplos: pessoas que tomam banho de sol no verão produzem cerca de 20 mil unidades internacionais (UI) em 30 minutos de exposição ao sol, o equivalente a 200 copos de leite ou 50 tabletes de suplementos tomados oralmente.

Benefícios

:: Exerce um papel importante em doenças como câncer, autismo, asma, esclerose múltipla, doenças cardiovasculares e osteoporose. Atua no metabolismo do cálcio e na manutenção da mineralização óssea participando da formação de ossos e manutenção da estrutura óssea, portanto sua deficiência está associada à osteopenia, osteoporose e raquitismo.

Pele

:: A principal relação de deficiência de vitamina D e pele, hoje, estudada é a psoríase. A psoríase é uma doença autoimune, não contagiosa, caracterizada pelo aparecimento de placas com manchas vermelhas e com elevações, coberta com partes brancas prateadas.

Fonte: Diarioweb

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