Dor nas costas, uma doença cada vez mais comum

A lombalgia ou dor nas costas é muito conhecida entre os brasileiros. De um modo geral, estima-se que 60% a 80% das pessoas sofrerão pelo menos um episódio de lombalgia ao longo de suas vidas, mas o problema só se tornará um desafio para 14% dos pacientes acometidos. Segundo o ortopedista Caio Gonçalves de Souza, médico do Hospital das Clínicas de São Paulo, as dores nas costas podem ser em decorrência de distensão ou estiramento lombar por trauma, alterações vertebrais e hérnia de disco (Lombalgias Mecânicas-LM),  mas também podem ser um sinal de doença mais séria que requer o diagnóstico imediato, especialmente, se em crianças ou idosos.

Para um bom diagnóstico, o Dr. Caio Souza defende uma boa dose de raciocínio clínico. “O médico deve conversar com calma com o paciente para investigar os hábitos, deve perguntar sobre o ciclo menstrual, de que forma a pessoa trabalha, se faz tratamento de estômago, entre outros pontos. Só na conversa, o médico  consegue descartar um monte de possibilidades. Depois dessa investigação é que se prescreve exame, como a ressonância magnética. No exame geralmente aparece um monte de coisa mas que  não tem, necessariamente, uma relação com a dor”, explica .

A Lombalgia Mecânica (LM) é a segunda causa mais comum de consulta médica e a terceira causa mais comum de incapacitação laboral. Apenas nos Estados Unidos, a LM acomete 85% da população em algum momento de suas vidas. Felizmente, a maioria dos casos se resolve em duas a quatro semanas. “Em pacientes mais jovens, entre 30 a 40 anos, a causa mais comum de lombalgia mecânica decorre da degeneração do disco (dor discogênica) causada por diversos fatores como sedentarismo, trabalhar muito tempo sentado, levantar/carregar peso e sobrepeso”, elenca Souza.

Dor nas costas como sinal de doença grave

Gilda Pinheiro

A aposentada Gilda Pinheiro (67) sentia dores nas costas com frequência mas não procurou cuidados médicos, se automedicando esporadicamente em ocasiões de dores agudas. Depois de três meses com o sintoma, ela teve uma crise de dor no estômago causada por uma estomatite grave. “Eu sentia dor nas costas mas nunca imaginei que era devido ao problema de estômago. Depois do diagnóstico é que eu percebi que ficava muito contraída o que contribuía para a dor lombar”, conta a aposentada. “Era um sinal do meu corpo dizendo que algo não estava bem, mas que infelizmente não soube interpretar”, explica Gilda Pinheiro. Depois de tratar a estomatite, Gilda ainda faz fisioterapia duas vezes na semana. “Estou bem melhor, mas sei que a partir de agora preciso ficar mais alerta e menos sedentária”, conta.

Apesar da grande maioria das lombalgias ser de causa ortopédica, Dr. Caio Souza explica que uma pequena parcela pode estar ligada a outras doenças, como problemas estomacais. Porém há patologias mais graves e potencialmente fatais que geram dor lombar, essas requerem tratamento imediato. Para amenizar o risco de errar o diagnóstico e evitar complicações graves, Dr. Caio Souza alerta para alguns sinais da dor lombar:

Se for uma dor lombar noturna, que consequentemente não melhora com o repouso, pode ser um sinal de patologias infecciosas e tumorais (metástases ósseas).

O diabetes pode ser o responsável pela neuropatia periférica, muitas vezes, confundida com a dor ciática. O diabetes também predispõe o indivíduo às infecções (discites).

Dor lombar em pacientes muito jovens (crianças) ou em idosos deve ser investigado imediatamente. O idoso normalmente não apresenta dor lombar discogênica, assim como as crianças. Dessa forma, deve se suspeitar de tumores metastáticos (próstata e mama), infecções ou fraturas por osteoporose.

História de trauma. Sempre suspeitar de possíveis fraturas. Lembrar que idosos portadores de osteoporose podem fraturar a coluna com movimentos banais de flexão do tronco.

A síndrome da cauda equina aguda, caracterizada por paresia de membros inferiores, anestesia em “sela” e perda de controle esfincteriano: isso é uma urgência médica, devendo o canal vertebral ser descomprimido o mais rápido possível. Pode ser causada por hérnias discais, tumores ou abscessos.

Dor nas costas – Mitos e Verdades

MITO – “Bico de papagaio causa dor nas costas. Errado: é uma forma da coluna fazer um rearranjo para resolver um problema de dor nas costas para que a pessoa não sinta dor.

VERDADE – Não pode fazer exercício físico se estiver com dor nas costas. Após três semanas de tratamento e repouso é que o músculo estará preparado para atividade física novamente.

VERDADE – Cineosioterapia (fisioterapia), educação corporal, RPG, pilates e ioga faz bem para o músculo pois previne dor na coluna. Essas atividades são indicadas para quem não está sentindo dor lombar.

VERDADE – Relaxante muscular tomado sem indicação médica pode mascarar o diagnóstico da dor lombar.

VERDADE – Banho quente e bolsa de água quente faz bem para tratar a lombalgia e a dor de torcicolo. O calor penetrar cerca de 1cm no local da dor, relaxando a musculatura.

MITO – Ficar de pé faz mal para dor nas pernas. Pelo contrário, o melhor é ficar de pé para melhorar a circulação.

VERDADE – A hérnia de disco provoca, principalmente,  dor no braço ou nas pernas, dependendo do nervo que é pinçado, ao invés de dor nas costas.

VERDADE –  A variação de temperatura (sair de uma sala com ar condicionado muito frio e entrar em outro ambiente com temperatura quente) provoca dor na cervical.

VERDADE – Travesseiro e colchão deformados provocam dor nas costas.

VERDADE – Dormir com a barriga para baixo provoca dor nas costas. O ideal é dormir de barrica pra cima ou de lado, com um travesseiro entre os joelhos.

Por Vanessa Borges, para o Espaço Você Saudável

Posted in Notícias.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *