Destaques do Congresso Mundial de Osteoporose

Entre os dias 02 e 05 de abril, aconteceu na cidade de Sevilha, Espanha, o Congresso Mundial de Osteoporose, Osteoartrose e Doenças Osteomusculares. O evento é considerado o principal fórum mundial para a apresentação de pesquisas clínicas sobre a saúde óssea, articular e muscular. É uma realização conjunta da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) e da Sociedade Europeia de Aspectos Clínicos e Econômicos da Osteoporose e da Osteoartrite (ESCEO).

Pacientes com doenças músculo-esqueléticas são tratados por uma ampla gama de diferentes profissionais de saúde, incluindo endocrinologistas, reumatologistas, ortopedistas, geriatras, clínicos gerais ou fisioterapeutas.

“Hoje, as doenças crônicas, como a osteoporose ou osteoartrite são uma das principais causas de incapacidade e de perda de qualidade de vida entre idosos. Em todo o mundo, pelo menos uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com idade superior a 50 anos vai experimentar uma fratura devido à osteoporose.

Como resultado, milhões de pessoas são afetados pela dor e pela falta de mobilidade. A longo prazo, isto acarreta em perda de qualidade de vida para o público da terceira idade”, afirma o ortopedista Caio Gonçalves de Souza (CRM-SP 87.701), Doutor em Ciências pela FMUSP.

O Congresso anual do IOF e da ESCEO é um fórum global para a apresentação da mais recente pesquisa médica sobre esses temas, bem como um ambiente de aprendizagem vibrante para os médicos e profissionais de saúde de todo o mundo. Mais de 800 trabalhos científicos foram apresentados no Congresso neste ano. A seguir, o médico lista os principais destaques do evento:

· Suplementação de cálcio não aumenta a doença cardíaca coronária.

Os resultados de um estudo – The effects of calcium supplementation on coronary heart disease hospitalisation and death in postmenopausal women: a collaborative meta-analysis of randomised controlled trials – apresentado no Congresso Mundial sobre Osteoporose, Osteoartrose e Doenças Osteomusculares não suportam a hipótese de que a suplementação de cálcio, com ou sem vitamina D, aumenta a doença cardíaca coronária ou o risco de mortalidade por todas as causas em mulheres idosas.

O tema é motivo de pesquisa porque uma das formas de se prevenir a osteoporose é a suplementação de cálcio e vitamina D, e se buscava conhecer melhor a segurança deste tratamento. Os pesquisadores realizaram uma meta-análise de estudos randomizados e controlados de suplementos de cálcio com ou sem vitamina D, procurando dois resultados principais: doença cardíaca coronariana e mortalidade devido a doenças do coração.

Foram verificadas estas patologias pela revisão do prontuário dos pacientes. “A meta-análise mostrou que a suplementação de cálcio com ou sem vitamina D não aumenta a doença cardíaca coronária ou risco de mortalidade em mulheres idosas. “Logo, a prevenção da osteoporose com estes complementos é segura para os pacientes”, informa o ortopedista, que também integra o corpo clínico do Hospital das Clínicas.

· Adolescentes que passam muito tempo jogando on-line têm ossos frágeis e correm o risco de desenvolver osteoporose.

Adolescentes enfurnados em seus quartos jogando no computador têm os ossos mais fracos do que aqueles que apreciam o ar livre. O alerta vem de pesquisadores noruegueses que apresentaram um trabalho – Leisure time computer use and adolescent bone health: findings from the Tromsø study–Fit Futures – sobre o tema no Congresso Mundial sobre Osteoporose, Osteoartrose e Doenças Osteomusculares. Segundo a pesquisa, meninos que passam mais tempo em frente ao computador, a consoles de jogos ou na frente da TV têm menor densidade mineral óssea do que as meninas ou do que meninos que apreciam o ar livre. Isso significa que, futuramente, enfrentarão um risco aumentado de fraturas e osteoporose.

“O esqueleto cresce continuamente desde o nascimento até o final da adolescência, atingindo seu pico de massa óssea – máxima resistência e tamanho – no início da idade adulta. Além dos fatores nutricionais, a atividade física pode ter grande impacto sobre este processo”, afirma o ortopedista, que também integra o corpo clínico do Hospital das Clínicas. O estudo norueguês levanta preocupações crescentes sobre a saúde óssea ao destacar que o sedentarismo dos adolescentes impacta diretamente a saúde óssea e as taxas de obesidade.

O estudo explorou a hipótese de que o maior tempo de uso do computador, nos fins de semana, está associado com menor densidade óssea. Os pesquisadores analisaram dados de 463 meninas e 484 meninos com idades entre 15 a 18 anos na Noruega. A densidade óssea dos adolescentes foi medida por meio da densitometria óssea, enquanto o estilo de vida foi determinado por meio de questionários e entrevistas. “Pesquisadores que estudam a saúde óssea defendem que a preocupação com a saúde óssea deve começar na infância e continuar na adolescência, quando o corpo constrói a maior parte da reserva óssea que deve sustentá-lo para os anos de vida restantes.

Uma vez que o pico de massa óssea é atingido, novos ganhos são mínimos, por isso o período da adolescência é o melhor momento de prestar atenção ao desenvolvimento ósseo”, afirma o ortopedista Caio Gonçalves de Souza (CRM-SP 87.701), Doutor em Ciências pela FMUSP. Cerca de 26% do total da massa óssea adulta é acumulada em dois anos na época em que a massa óssea aumenta mais, mais ou menos aos 12,5 anos nas meninas e 14,1 nos meninos. As melhores evidências disponíveis indicam fortemente que o aumento do pico de massa óssea na infância em apenas 10% pode atrasar a osteoporose, especialmente em mulheres na pós-menopausa, por cerca de 13 anos.

Não surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que os meninos passam mais tempo na frente de computadores do que as meninas. Assim como a elevação do tempo de tela está sendo associada negativamente com a densidade óssea nos meninos, ela também está relacionada com um maior Índice de Massa Corporal (IMC), ou seja, uma maior tendência à obesidade. “A densidade mineral óssea é um forte indicador do risco de fraturas no futuro. As descobertas são intrigantes para meninas e definitivamente merecem uma maior exploração em outros estudos e grupos populacionais.

Os resultados para os meninos, por outro lado, mostram claramente que o sedentarismo durante a adolescência pode ter impacto sobre a densidade óssea, e, assim, comprometer a aquisição de pico de massa óssea, o que pode resultar em osteoporose e risco de fraturas mais tarde”, diz o médico.

· Pesquisadores mostram o impacto da insuficiência de vitamina D sobre o risco de fratura

Um estudo – Vitamin D insufficiency sustained over 5 years contributes to increased 10-year fracture risk in elderly women – apresentado no Congresso Mundial sobre Osteoporose, Osteoartrose e Doenças Osteomusculares, mostra que os baixos níveis da ingestão de vitamina D, a longo prazo, estão associados com maior risco de fratura entre mulheres idosas. O estudo, realizado por pesquisadores suecos, usa a avaliação sequencial de níveis séricos de vitamina D para determinar se a hipovitaminose D, ou a falta de vitamina D, em mulheres idosas, leva ao aumento da incidência de fraturas em 10 anos. “O estudo conclui que na amostra da população de mulheres idosas analisada, a insuficiência de vitamina D, sustentada ao longo de 5 anos, foi associada com o aumento do risco de fratura osteoporótica nos 10 anos seguintes. O que sugere que, cada vez mais, o risco de cair e sofrer uma fratura, quando você é idoso, pode ser menor se os níveis de vitamina D estiverem adequados”, explica Caio de Souza. Isso se deve ao fato que a vitamina D não só tem a função de melhorar a absorção do cálcio pelo intestino, o que leva a ossos mais resistentes, mas também está ligada a melhor função muscular e melhor equilíbrio. A Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) tem recomendações globais para a vitamina D que indicam a necessidade de ingestão diária de 1000 a 1200 UI / dia em idosos com fraturas e para prevenir quedas.

FONTE: Segs

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