Artrose

O termo artrose (osteoartrose) é um dos muitos com os que se descrevem um grupo de condições que afeta as articulações sinoviais. Essas condições se caracterizam pela perda de cartilagem articular com remodelamento do osso subjacente.

Metade das pessoas com mais de 50 anos apresentam sinais de artrose nas radiografias. 10% dos adultos apresenta osteoartrose moderada ou grave. A incidência aumenta com a idade, embora nem todos os indivíduos com alterações radiológicas apresentem sintomas. A artrose afeta as articulações periféricas assim como a coluna vertebral.

Epidemiologia

Os principais locais de acometimento são as mãos, a coluna, os pés, os joelhos e o quadril.

A artrose de joelhos e de mãos predomina nas mulheres. A relação entre mulher e homem é de 1 até 4 vezes mais e aumenta a partir da sexta década de vida. A artrose de quadril está distribuída igualmente em ambos os sexos.

Cerca de 35% dos adultos entre 25 e 74 anos de idade tem evidência radiológica de artrose, e a prevalência aumenta com a idade em todas as populações e regiões. A artrose é de distribuição mundial. Entretanto existem variações geográficas como, por exemplo, a artrose de quadril é rara na população asiática e africana. Por outro lado, a artrose de joelhos é mais comum na raça negra na América do norte.

Fatores de risco

Fatores hereditários:

Existe predisposição hereditária na artrose de mãos. Em outras articulações, aparentemente os fatores ambientais são mais importantes.

Fatores ambientais:

Os fatores biomecânicos incluem condições congênitas ou adquiridas como a displasia do quadril, onde o local da bacia em que o osso da coxa se encaixa é mais raso que o normal. O trauma do joelho, incluindo lesão do menisco ou ruptura do ligamento cruzado anterior podem levar, em alguns anos, à artrose. Porém, o fator de risco mais importante para a artrose dos joelhos ainda é a obesidade, com o risco aumentando de acordo com o excesso de peso. Convém lembrar que a artrose não aparece imediatamente, demorando alguns anos para se estabelecer, logo sempre há tempo de prevenir as possíveis causas e evitar a piora da artrose.Por isto a importância de se procurar sempre um médico quando tiver com dores articulares ou ter tido um dos fatores predisponentes descritos acima.

Dor e incapacidade

A osteoartrose é a causa mais comum de dor músculo-esquelética e de incapacidade física. Em torno de 2 a 3 % de toda a população adulta sofre permanentemente com dor devido à artrose. A doença é responsável por um grande gasto de recursos financeiros diretos e indiretos, porque muitos dos pacientes com alterações radiológicas apresentam dor diariamente, o que repercute nas suas atividades diárias, trabalho e na sua qualidade de vida. Por atingir não somente o paciente, mas também aqueles que estão em sua volta, como familiares e colegas de trabalho, podemos dizer que a artrose não somente tem consequências na saúde dos indivíduos, mas também tem consequências sociais.

Sinais e sintomas

Os principais sintomas da osteoartrose são a dor articular e a rigidez, ou seja, a limitação do movimento da articulação. A dor está relacionada com as atividades feitas e tende a piorar ao final do dia e em dias mais frios. Os pacientes podem ter uma dor mais forte depois de alguma atividade específica ou um movimento determinado (dor aguda), ou simplesmente terem dor durante todo o dia, independentemente do que fizeram (dor crônica).

A rigidez matinal (dificuldade em mexer uma articulação pela manhã) é habitual e tem uma duração de poucos minutos, sempre menos de meia hora, o que ajuda a distinguir a artrose de outras doenças articulares. A presença de rigidez pós-inatividade (depois de ficar muito tempo sem mexer a região) costuma ser muito intensa.

Exames

A radiografia (Raios X) simples pode determinar a presença ou ausência de artrose. Inicialmente as mudanças da artrose, seja no osso subcondral (que fica abaixo da cartilagem), seja nas bordas das superfícies articulares, não são observadas na radiografia. Após um período podem ser observados osteófitos (bicos de papagaio) nas margens articulares e a presença de mudanças no osso subcondral. A cartilagem não é calcificada, logo ela não aparece na radiografia. Estudos da progressão da artrose por meio de radiografias em pacientes portadores da doença são feitos por sinais indiretos de perda da cartilagem, como a comparação do espaço articular, o aparecimento de osteófitos e as mudanças no osso subcondral.

A cintilografia é um método diagnóstico sensível, porém inespecífico, para detectar a atividade da artrose. Ela tende a mostrar sinais de aparecimento da doença antes da radiografia. Atualmente existem estudos utilizando a ressonância magnética como exame auxiliar no diagnóstico e prognóstico da doença.

A artroscopia é utilizada para detectar a perda focal de cartilagem, no entanto, por ser uma técnica invasiva, não é utilizada de forma rotineira.

Ainda não existem exames de sangue ou urina que façam o diagnóstico de artrose, porém este é um tema de muita pesquisa nos dias atuais, e alguns exames podem ser utilizados para avaliar a evolução da artrose ou a sua resposta a certos medicamentos.

Prognóstico

A osteoartrose é uma doença que evolui lentamente, durante muitos anos. Nenhum paciente morre devido a esta doença, porém a inatividade causada por ela, assim como as dores, podem piorar muito outras doenças e sintomas, levando a perda da qualidade de vida. Possivelmente, uma parte da perda funcional das articulações podem dever-se ao envelhecimento e não somente à artrose. As mudanças radiológicas não estão necessariamente correlacionadas com os sintomas ou a função, logo é necessário consultar um médico para se fazer o diagnóstico. Com o tratamento adequado, os sintomas se estabilizam e os pacientes melhoram, porém o desgaste ocorrido é irreversível, ou seja, não existe uma cura para a artrose. Pacientes obesos ou com instabilidade articular têm pior prognóstico.

Tratamento

É muito importante realizar o diagnóstico correto da doença e educar o paciente sobre o curso da mesma. Deve ser explicado que a osteoartrose não é como a artrite reumatoide e que a possibilidade de desenvolvimento futuro de incapacidade funcional é improvável, desde que bem acompanhado. Estudos da OARSI (Osteoarthritis Research Society International) mostram que o fator mais importante para o tratamento da artrose é a boa orientação do paciente, por isto a importância de sempre conversar com seu médico sobre o assunto.

A realização de exercícios ou fisioterapia deve ser feita por todos os pacientes com artrose com o objetivo de manter a força muscular e a ampla movimentação das articulações afetadas. Quanto mais instável a articulação, maior será a inflamação e o desgaste da cartilagem. Devemos lembrar que a cartilagem é nutrida por embebição, logo quando mais líquido sinovial (articular) for formado, melhor para a cartilagem. Este líquido é formado sempre que movimentamos nossas articulações, por isto a inatividade é tão ruim para as juntas. Porém, devemos movimentar as articulações sem colocar peso sobre elas, pois o peso (carga) pode acelerar o processo de desgaste. Logo, o paciente necessita ser bem orientado pelo médico ou pelo fisioterapeuta sobre o que fazer e como fazer.

A maioria dos pacientes necessita de estímulo para realizar atividades físicas, já que muitos deles costumam ser sedentários. Eles também devem ser ensinados a alternar períodos curtos de trabalho ou atividade com períodos curtos de repouso.

A redução do peso sobre as articulações (carga articular) ajuda a melhorar o prognóstico dos pacientes e impedir a evolução rápida da doença. Logo, os pacientes com sobrepeso (IMC 25 até 30) ou obesos (IMC acima de 30) devem ser orientados a baixar de peso. Inicialmente os pacientes com artrose em membros inferiores podem fazer uso de bengala o que reduz a carga no joelho e no quadril. O uso de sapatos com solado que absorva choques e evitar atividades que resultem em impactos repetidos são importantes para estes pacientes. Pacientes com artrose de mãos podem utilizar órteses específicas e serem acompanhados por um terapeuta ocupacional.

Medicamentos

O uso de analgésicos simples podem controlar a dor em muitos casos.

Anti-inflamatórios não esteroides aliviam a dor e a rigidez por curto prazo, porém o uso prolongado pode provocar efeitos colaterais indesejados ou complicações devido a sua potencial toxicidade.

Os corticoides intra-articulares estão indicados em casos de sinovites aguda ou derrame articular.

Na artrose existe um abuso no consumo de medicamentos contra a dor, por isso é importante a orientação de um especialista, devendo ser avaliado cada caso individualmente de acordo a sua necessidade.

Atualmente podem ser utilizadas drogas condroprotetoras, que também possuem efeito anti-inflamatório, porém, este se manifesta em um período de tempo mais longo. Também existem drogas que foram criadas para a osteoporose que melhoram os sintomas por terem efeito no osso subcondral.

O tratamento da artrose deve ser sempre individualizado. O tratamento que serve para um paciente pode não servir para outro. Sempre procure orientação médica.

Cirurgia

A cirurgia é realizada nas artroses avançadas de algumas articulações, como a de quadril, joelho e base do dedo polegar. A cirurgia está indicada em pacientes nos quais se faz uma criteriosa avaliação e em casos avançados, onde o tratamento clínico não demonstra maiores benefícios e o paciente se encontra sem opção terapêutica. Porém, na maior parte dos casos é possível controlar a doença sem a necessidade de se fazer uma cirurgia.

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