Osteoporose

A osteoporose é uma doença caracterizada pela perda de massa óssea, o que afeta a arquitetura interna do osso (microarquitetura) e aumenta a fragilidade óssea. Essa combinação patológica aumenta o risco de fratura, principalmente na região do quadril, da coluna e dos punhos.

Durante a infância e a adolescência, vamos depositando cada vez mais minerais no nosso esqueleto, como o cálcio, o fósforo e o magnésio. Estes minerais são importantes para diversas funções do corpo, como a contração muscular, o batimento cardíaco e funcionamento do cérebro. Quanto mais minerais depositarmos nos ossos, maior será a nossa massa óssea.

Na vida adulta, a massa óssea funciona com uma poupança: quando não nos alimentamos direito em determinado dia, o corpo necessita destes minerais, ele envia um sinal até os ossos, que fornecem os minerais necessários. Quando ingerimos mais minerais do que necessitamos, podemos simplesmente expeli-los do corpo ou depositarmos no esqueleto. Logo, ter maus hábitos alimentares por vários e vários anos manterá o corpo deficitário em certos minerais, e ele terá que se utilizar de sua poupança mineral (o esqueleto) constantemente, diminuindo a massa óssea mais rápido que o esperado.

A osteoporose pode ser dividida em:

Primária:
Osteoporose pós-menopausa nas mulheres e osteoporose senil nos homens.

Secundária:
Aquelas associadas com doenças hereditárias ou devida à alteração fisiológica.
Normalmente, no esqueleto, mesmo em adultos e idosos, temos células formando novos ossos (osteoblastos) e células reabsorvendo (destruindo) os ossos antigos (osteoclastos). Denominamos esse processo de remodelação óssea. Em todos os tipos de osteoporose, a anormalidade básica é uma alteração desta remodelação óssea, onde a reabsorção óssea é maior que a formação, existindo perda de massa óssea. Esta perda de massa óssea, com o passar dos anos, levará a um aumento do risco de fratura.
Nas osteoporoses secundárias existe uma causa evidente de perda óssea, por exemplo, uso de corticosteroides ou níveis de testosterona baixos.
Nas osteoporoses primárias, a alteração não é tão clara; a atividade das células ósseas é normal, os níveis hormonais costumam ser normais, não há excesso de hormônio paratireoide, nem deficiência de vitamina D, estrogênios, testosterona ou calcitonina. Convém lembrar que todas as mulheres depois da menopausa têm deficiência de estrogênios, no entanto não são todas que desenvolverão a osteoporose.

Fatores de risco

Apesar de não existirem fatores de risco específicos, a deficiência de estrogênios, a deficiência de cálcio na alimentação, a falta de vitamina D e o sedentarismo são os principais fatores que, de modo independente ou combinado, levam a um risco maior de ter osteoporose (e suas fraturas).

Outros fatores como não ter alcançado o nível de massa óssea máximo durante a adolescência, o envelhecimento, a deficiência nutricional, o consumo de tabaco e álcool, a exposição a alguns medicamentos como corticosteroides, heparina e o uso de hormônios tireóideos em excesso podem participar nesse processo.

Epidemiologia

A osteoporose usualmente se apresenta em pessoas com mais de 50 anos. As fraturas da coluna acometem 20% das mulheres nas pós-menopausa, sendo que as queixas destas pacientes costumam ser dor crônica nas costas e diminuição da estatura (perda da altura). A incidência de fraturas na região do quadril aumenta exponencialmente após os 50 anos nas mulheres e dos 60 nos homens. Um terço de todas as mulheres com mais de 80 anos sofreram uma fratura nesta região.

Toda fratura depende do tipo de trauma que levou a ela e da quantidade e qualidade do osso. É claro que pessoas de todas as idades podem sofrer acidentes de carro e apresentarem várias fraturas devido a força do impacto. Porém, não é esperado que as pessoas sofram uma pequena queda e fraturem os ossos. Ocorre que nas pessoas idosas com osteoporose é frequente a fratura do quadril após uma queda. O idoso cai mais facilmente (um terço das pessoas com mais de 65 anos apresenta várias quedas por ano) devido ao uso de sedativos, diuréticos, álcool e menor capacidade de visão e equilíbrio. Os tapetes escorregadios, o uso de sapatos com sola lisa ou de salto e os banheiros sem proteção adequada são fatores ambientais que muitas vezes são mais fáceis de resolver que a própria osteoporose. Por isto a necessidade de conversar com um médico sobre todos estes fatores.

Durante a queda, em qualquer pessoa, ocorre uma contratura dos músculos no local atingido que faz com que a força do impacto seja distribuída por uma superfície maior, causando menor dano ao tecido ósseo. Entretanto, nos idosos, a força muscular e a velocidade de reação estão diminuídas, o que provoca uma alteração neste mecanismo de proteção ao osso. Daí a importância em se tratar não só a perda de massa óssea, mas também a fraqueza muscular.

Diagnóstico

Nos casos de osteoporose, os pacientes podem apresentar-se das seguintes maneiras:

  • Paciente assintomático com fatores de risco aumentados para osteoporose. Dentro deste grupo se encontram os pacientes que recebem tratamento com corticosteroides ou mulheres com doenças reumatológicas na pós-menopausa imediata. A avaliação pode ser realizada por meio de exames de laboratório como a calcemia, a fosfatemia, a fosfatase alcalina, a calciúria e a vitamina D sérica. Também deve ser feita uma densitometria óssea, que normalmente pode ser repetida a cada 1 ou 2 anos. Em caso de densidade óssea baixa um tratamento preventivo deve ser instaurado. Já em caso de densidade óssea normal ou levemente aumentada pode ser suficiente a indicação de exercícios físicos e o aumento do consumo de alimentos ricos em cálcio;
  • Paciente com fraturas por osteoporose. Esses pacientes necessitam de uma avaliação mais completa que inclui história clínica, pesquisa dos fatores de risco e exame físico a fim de excluir doenças ou medicações que provocam a osteoporose secundária;
  • Paciente com osteoporose que apresenta dor lombar. É muito importante descartar primeiro a possibilidade de doença concomitante que apresenta patologia lombar como, por exemplo, tumores e metástases (de próstata, de mama, do pulmão, etc), ou mieloma múltiplo. Em pacientes que não existem esses fatores de risco, a dor pode estar relacionada com fratura por compressão da coluna, alterações mecânicas secundárias a fraturas prévias, cifose (corcunda), espasmos muscular, artrites ou alterações psicológicas ou sociais.

Exames laboratoriais

Os exames de laboratório que usualmente são solicitados confirmarão ou não se os valores se encontram dentro da normalidade, descartando dessa maneira causas de osteoporose secundária passíveis de tratamento.

Os exames incluem hemograma completo, perfil bioquímico e VHS, cálcio sérico e cálcio total, PTH (paratormônio), fósforo e eletroforese de proteínas (para excluir mieloma). Provas de função tireoidiana, eletrólitos plasmáticos para excluir transtornos ácido base, vitamina D, função renal e hepática (em pacientes com história de osteomalácia). Em homens com fratura de vértebra por osteoporose, testosterona para descartar hipogonadismo.

Densitometria óssea

A densitometria óssea é um exame que mede a densidade óssea mineral. Normalmente é feita na coluna lombar e no quadril. Os resultados são interpretados de acordo com a comparação do valor obtido em pessoas sadias de 20 anos de idade:

  • Normal: valor de densidade óssea mineral similar ao do adulto jovem;
  • Osteopenia: valor de densidade óssea menor que a de um adulto jovem;
  • Osteoporose: valor de densidade óssea muito menor que a de um adulto jovem;
  • Osteoporose grave: valor de densidade óssea menor que a de um adulto jovem associado a fraturas ósseas por fragilidade.

Exames de imagem

A radiologia pode mostrar osteopenia e fraturas do corpo vertebral, além de auxiliar a descartar outras causas de dor nas costas como metástases, tumores e infecções, dentre outros. As fraturas por osteoporose normalmente ocorrem entre as vértebras D7 (dorsal 7) e L5 (lombar 5), mais frequentemente no nível de D10 – D12 ou lombar alta. O aparecimento de fraturas em outros níveis deve ser investigado para descartar metástases.

A cintilografia óssea é utilizada para avaliar o tipo de dor óssea. Quando ela mostra uma captação maior no local de uma fratura recente, isto indica formação de osso e remodelação óssea, sendo esta a causa da dor. Uma cintilografia normal sugere que a dor não se origina no esqueleto.

Assim uma cintilografia positiva com radiografia normal, em ausência de doença metastática, indica microfratura do corpo vertebral ou do fêmur proximal. As microfraturas podem progredir até ser aparentes na radiografia.

Tratamento

Para o tratamento correto da osteoporose é necessário entender o processo de remodelação óssea. Idealmente a terapia deve diminuir a reabsorção do osso (impedindo maior perda óssea) e aumentar a formação óssea. Isto, porém, só servirá como tratamento se for comprovado por estudos clínicos que ela diminui o risco de fraturas. Esta é uma área de pesquisa muito dinâmica, logo sempre existem novas terapias e novos trabalhos que comprovam ou não o uso de determinadas medicações.

Abaixo algumas possibilidades de terapias, lembrando que uma consulta com o médico de sua confiança é fundamental para um tratamento adequado, já que muitas vezes a terapia de um paciente pode não ser indicada para outro:

  • Cálcio: o consumo adequado de cálcio é de 1.000 a 1.500 mg por dia. Ele é encontrado em alimentos como, por exemplo, leite e seus derivados e verduras. Existe também a possibilidade de suplementação oral de cálcio;
  • Vitamina D: aumenta a absorção intestinal do cálcio. O corpo produz sua própria vitamina D, bastando para isto tomarmos sol na pele por alguns minutos ao dia. Quando isto não ocorre, é recomendada a suplementação por via oral;
  • Prática de exercícios: é recomendada para todas as pessoas e não somente para as que possuem fatores de risco para osteoporose. Caminhar ou correr pequenas distâncias são muito úteis. A falta de atividade física influi negativamente nos ossos do esqueleto aumentando a reabsorção e diminuindo a formação de osso;
  • Estrogênios: o estrogênio aumenta a resistência à reabsorção de osso mediada pelo paratormônio. O uso de estrogênios previne a perda óssea em mulheres imediatamente após a menopausa e em mulheres mais velhas com osteoporose estabelecida. O uso de estrogênios em mulheres no começo da menopausa está sendo evitado ou utilizado apenas em casos específicos, devido ao risco aumentado de infarto de miocárdio, acidente vascular cerebral e tromboses;
  • Calcitonina: inibe a atividade dos osteoclastos. A calcitonina sintética tem um efeito analgésico em pacientes com fratura da coluna recente;
  • Bisfosfonatos: atuam quimicamente sobre os ossos impedindo a reabsorção do osso. Alguns deles possuem estudos comprovando sua eficácia na diminuição das fraturas;
  • Peptídeos de hormônio paratireoide: é um formador de tecido ósseo;
  • Estrôncio: também tem seu mecanismo de ação através do estímulo a formação do osso.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *