Fraturas

A fratura é o termo médico para um osso quebrado. São ocorrências comuns: em média, uma pessoa pode ter até duas fraturas durante toda a vida. Elas ocorrem quando a força física exercida sobre o osso é mais forte que a resistência mecânica do próprio osso.

O tecido ósseo tem uma característica fantástica: ele não costuma formar cicatriz! Após ser fraturado, ele passará por um processo que envolve uma fase inicial de inflamação, depois uma de consolidação, onde normalmente se forma um calo ósseo, e, finalmente, um processo de remodelação, que irá torná-lo igualzinho ao que ele era antes do trauma. Isto normalmente demora um ano e meio para ocorrer. Mas com o osso consolidado (que ocorre bem antes da remodelação), a pessoa já pode voltar às suas atividades habituais.

O risco de fratura depende, em parte, da sua idade. Ossos quebrados são comuns na infância, embora fraturas em crianças sejam geralmente menos complicadas do que fraturas em adultos. Na vida adulta, ela está muito ligada aos hábitos e atividades das pessoas, como a prática de esportes de contato e aos acidentes automobilísticos. Conforme a pessoa envelhece e se torna idosa, seus ossos se tornam mais frágeis e mais propensos a sofrer fraturas decorrentes de quedas que não ocorreriam quando você era jovem.

Existem muitos tipos de fraturas. Fraturas expostas são fraturas onde o osso ou o sangramento deste está em contato com o meio exterior, aumentando o risco de uma infecção óssea (osteomielite). Fraturas fechadas são quando isto não ocorre. Os ossos podem quebrar e continuar na mesma posição que estavam antes do trauma. A isto chamamos de fratura sem desvio. Quando um paciente fala que só “trincou” o osso, o que ele teve foi uma fratura sem desvio. Se, após o trauma, os fragmentos ósseos saíram do lugar, esta é uma fratura com desvio. Logo, antes de se imobilizar esta fratura, o médico terá que colocá-la de volta no seu lugar, manobra que é conhecida como redução. Se o osso é quebrado em muitos pedaços, ela é chamada de fratura cominutiva.

A gravidade de uma fratura depende da sua localização, do número de ossos quebrados e dos danos causados ao tecido ósseo. Fraturas graves podem acarretar em complicações perigosas se não forem tratadas rapidamente. Entre as possíveis complicações nós temos os danos aos vasos sanguíneos, os danos aos nervos, as infecções do osso (osteomielite) e até o óbito, devido a grande perda sanguínea (hipovolemia) ou a presença de gordura do osso nos pulmões (embolia gordurosa). O tempo de recuperação de uma fratura varia, dependendo da idade, da saúde do paciente e do tipo de fratura. Uma fratura simples em uma criança pode ser curada dentro de poucas semanas; uma fratura grave em uma pessoa mais velha pode levar meses para se consolidar.

Sintomas

Os sinais e sintomas de um osso quebrado incluem:

  • Dor no local da lesão que se agrava quando a área é movida ou pressionada;
  • Inchaço no local;
  • Deformidade da região;
  • Perda da função na área lesada.

As fraturas são geralmente causadas por quedas, golpes ou outros eventos traumáticos.

Já as fraturas patológicas são causadas por doenças (tais como câncer) que enfraquecem os ossos e podem ocorrer com pouco ou nenhum trauma. A osteoporose, uma doença na qual os ossos tornam-se menos resistentes à medida que envelhecem, provoca 1,5 milhão de fraturas por ano nos EUA – especialmente no quadril, punho e coluna.

Diagnóstico

Os médicos geralmente podem reconhecer a maioria das fraturas pelo exame clínico e com o auxílio da radiografia. Às vezes, uma radiografia não revela uma fratura no primeiro momento. Isto é especialmente comum com algumas fraturas das mãos, dos pés, do quadril (especialmente em idosos) e fraturas por estresse. Nestas situações, o médico pode realizar outros exames complementares, como uma tomografia computadorizada ou uma ressonância magnética.

Em alguns casos, como na fratura do osso escafoide, o médico pode optar pela imobilização imediata e pedir uma segunda radiografia após 10 dias para confirmar o diagnóstico.

Ocasionalmente, mesmo após o diagnóstico de fratura, o paciente pode precisar de outros exames (como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética) para determinar se outros tecidos ao redor do osso foram danificados, como tendões, ligamentos, meniscos e vasos sanguíneos.

Tratamento

Uma fratura muitas vezes requer tratamento de emergência em um hospital. Se o paciente acha que os ossos das costas, do pescoço ou do quadril estão quebrados, ele não deve ser removido por leigos; deve ligar para a assistência médica de emergência (basta discar 192 ou 193 de qualquer telefone). Se o paciente está em estado de choque (fraco, pálido ou com a respiração ofegante) também deve ser solicitada a ajuda especializada.

Em outros casos, é possível transportar a pessoa para o pronto socorro mais próximo. Antes de transportar a pessoa fraturada, deve-se proteger a área lesada para evitar maiores danos. Para ossos quebrados nos braços ou pernas, colocar uma tala (feito de madeira, plástico, metal ou outro material rígido preenchido com compressas ou gaze) para impedir o movimento no foco de fratura. Se houver sangramento, fazer pressão por alguns minutos no local para parar o sangramento antes da imobilização. Neste caso, é importante também ligar para os serviços de urgência.

Ossos fraturados devem ser reduzidos e imobilizados até o final da consolidação. A maioria das fraturas são imobilizadas com gesso, tala, ou, ocasionalmente, a tração para reduzir a dor e ajudar na cura. Quando temos fraturas em muitos ossos, normalmente é optado por se operar o paciente. Em muitos casos, a medicação é limitada ao uso de analgésicos para reduzir a dor. Em fraturas expostas, os antibióticos devem ser administrados para prevenir infecção.

Após a consolidação do osso, o paciente ainda deve fazer a reabilitação, já que muitas vezes não só o tecido ósseo sofreu com o trauma, mas também os músculos e as articulações. A fisioterapia começa assim que possível, mesmo que o osso ainda não esteja plenamente curado porque promove a circulação sanguínea, facilitando a cura e a manutenção do tônus muscular, ajudando a prevenir coágulos sanguíneos e rigidez das articulações. Normalmente, a reabilitação se inicia tentando recuperar o movimento das articulações, depois a força muscular e, por último, o equilíbrio do paciente, quando for o caso.

Prevenção

Para ajudar a evitar as fraturas, precauções gerais de segurança são preconizadas, incluindo:

  • Usar sempre o cinto de segurança ao entrar num automóvel;
  • Usar sempre o equipamento de segurança adequado (capacetes e outras almofadas de proteção) para atividades recreativas, tais como andar de bicicleta, moto ou praticar esportes de contato;
  • Sempre tome cuidado ao atravessar a rua, e se possível o faça pela faixa de segurança ou passarela;
  • Manter passarelas e escadas livre de objetos que possam causar uma queda;
  • Tome cuidado com tapetes escorregadios e ao sair molhado do banho para não escorregar;
  • Não suba em telhados ou lajes que não tenham a proteção adequada;
  • Se o paciente tem osteoporose, deve exercitar-se regularmente para melhorar sua força e seu equilíbrio, o que pode ajudar a reduzir as quedas. Deve também discutir a suplementação de cálcio e vitamina D com seu médico;
  • Quando estiver em uma escada reta, para consertos, evite usar o degrau mais alto e tenha a certeza de que tem alguém segurando a escada.

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