Doenças osteometabólicas

Osteonecrose do quadril (necrose asséptica)

Osteonecrose (ou necrose asséptica do quadril) é a morte das células ósseas levando a alterações estruturais do osso e, após alguns meses, ao colapso da cabeça femoral. Com o passar dos anos, esta cabeça femoral, que deixou de ser esférica, levará a um quadro de artrose da articulação do quadril. Acredita-se que o quadro se inicie com um aumento da pressão interna do osso, e isto leva a falta de sangue na região e à necrose.

Trata-se de uma doença relativamente comum, que acomete mais homens que mulheres, geralmente na faixa etária dos 40 e 50 anos de idade. O índice de bilateralidade é alto, podendo chegar a mais que 50%.

Quanto à etiologia da osteonecrose, podemos dividi-la em:

  • Primária ou idiopática: provavelmente são pacientes com alguma coagulopatia não diagnosticada;
  • Secundária: após causas traumáticas como a fratura do colo do fêmur ou a luxação do quadril e causas atraumáticas como o uso exagerado de álcool, uso crônico de corticoides, medicações antiretrovirais, hemoglobinopatias, entre outros.

O quadro clínico envolve leve diminuição da amplitude de movimento do quadril e dor progressiva na virilha e região anteromedial da coxa, presente no repouso, mas piorando com o movimento ou apoio do membro inferior no solo.

Quanto aos exames de imagem, o melhor método para o diagnóstico é a ressonância nuclear magnética. As radiografias podem não demonstrar alterações nas fases iniciais da doença, mas com a evolução começam a mostrar alterações de densidade óssea e posteriormente o colapso da cabeça femoral. Lembrar que existe sempre o risco de a patologia ser bilateral, logo as duas articulações do quadril devem ser examinadas.

Os casos com melhor prognóstico são os que ainda não tiveram o colapso da cabeça femoral. Caso este colapso ocorra, a cabeça do fêmur deixará de ser esférica e esta incongruência em relação ao acetábulo levará a um quadro de osteoartrose no futuro. Portanto, o ideal é fazer o diagnóstico e o tratamento o mais precocemente possível.

O tratamento dos casos onde a cabeça femoral ainda está esférica é a descompressão cirúrgica da região, seguido de medicações analgésicas e repouso do membro acometido. Caso ocorra o colapso da cabeça femoral, a literatura é controversa a respeito. O uso de medicações para prevenir o avanço da osteoartrose e a fisioterapia são as formas mais comuns de tratamento conservador. Cirurgicamente, temos como possibilidades a utilização de retalhos, osteotomias, artrodiastase ou a prótese de quadril, isto, após a instalação do quadro de artrose.

Osteomalácia e raquitismo

Raquitismo e osteomalácia são doenças caracterizadas por ossos frágeis e portanto mais propensos a fraturarem. Denomina-se raquitismo quando a doença ocorre na infância, já que as crianças ainda não completaram sua formação óssea. Denomina-se osteomalácia quando a doença ocorre em adultos, que já tiveram seus ossos devidamente formados.

As consequências destas doenças são diferentes, pois no caso do raquitismo, a doença pode gerar deformidade óssea e baixa estatura e na osteomalácia, aumento no risco de fraturas ósseas.

As causas do raquitismo e da osteomalácia podem ser: carência de cálcio ou de vitamina D no organismo, ambos importantes para a formação óssea, ou devido a outras situações que dificultam a deposição do cálcio nos ossos como insuficiência renal ou doença hepática.

Quanto ao tratamento do raquitismo e da osteomalácia recomenda-se que sejam identificadas suas causas para que então elas possam ser solucionadas. Algumas recomendações terapêuticas são: aumento da exposição solar, boa alimentação e suplementação de cálcio e de vitamina D.

Osteomalácia

A osteomalácia é uma doença óssea caracterizada por ossos de baixa resistência e quebradiços que nos adultos pode ser confundida com a osteoporose. Ela geralmente é causada por um defeito na formação do osso, e o seu tratamento pode incluir alimentação adequada, uso de medicamentos e exposição solar.

Causas

As causas da osteomalácia podem ser:

  • Alterações na produção do tecido ósseo;
  • Carência de cálcio ou fósforo no organismo;
  • Carência de vitamina D;
  • Dificuldade ou incapacidade de absorver ou utilizar a vitamina D;
  • Deficiência da enzima fosfatase alcalina;
  • Uso de substâncias como alumínio e flúor, que inibem a mineralização dos ossos;
  • Insuficiência renal;
  • Doença hepática.

A vitamina D é produzida pela pele quando exposta à luz solar. A falta de produção de vitamina D pela pele pode ocorrer em pessoas que:

  • Vivem em climas com pouca exposição à luz solar;
  • Precisam ficar em ambientes fechados;
  • Trabalham em ambientes fechados durante o dia.

Sintomas

Os sintomas de osteomalácia podem ser:

  • Dor nos ossos, principalmente nos quadris;
  • Fraqueza muscular;
  • Fraturas ósseas sem causa aparente.

Os sintomas também podem estar relacionados com a carência de cálcio no organismo, e por isso o indivíduo pode apresentar:

  • Sensação de dormência ao redor dos lábios, nos braços ou nas pernas;
  • Espasmos musculares nas mãos ou nos pés.

Diagnóstico

Para o diagnóstico de osteomalácia deve-se realizar alguns exames como radiografias, densitometria óssea e avaliação da concentração de cálcio, fósforo e vitamina D no sangue.

Tratamento

Para o tratamento da osteomalácia recomenda-se tratar a sua causa. Muitas vezes, isto pode ser alcançado através da:

  • Suplementação de cálcio, fósforo e vitamina D;
  • Alimentação rica em cálcio;
  • Exposição solar de 15 minutos diários, sem protetor solar.

Raquitismo

Raquitismo é um distúrbio causado pela falta de vitamina D, cálcio ou fósforo na infância. Ele causa o amolecimento e o enfraquecimento dos ossos.

Sintomas

  • Perda de força muscular;
  • Defeitos na estrutura dos dentes;
  • Aumento de cáries dentárias;
  • Fraqueza progressiva;
  • Aumento da ocorrência de fraturas ósseas;
  • Cãibras musculares;
  • Crescimento comprometido;
  • Baixa estatura (adultos com menos de 1,50 m de altura);
  • Pernas arqueadas;
  • Protuberâncias na caixa torácica;
  • Esterno projetado para frente (peito de pombo);
  • Deformidades pélvicas;

Diagnóstico

Um exame físico identifica sensibilidade ou dor nos ossos, mas não nas articulações ou músculos. Os seguintes exames podem ajudar no diagnóstico do raquitismo:

  • Cálcio sérico;
  • Fósforo sérico;
  • Fosfatase alcalina sérica;
  • Radiografia;
  • Biópsia óssea (raramente realizado).

Outros exames e procedimentos possíveis incluem:

  • Fosfatase alcalina;
  • Cálcio ionizado;
  • Hormônio da paratireoide;
  • Cálcio urinário.

Tratamento

Os objetivos do tratamento são aliviar os sintomas e corrigir a causa do problema. A causa deve ser tratada para evitar o retorno da doença.

A reposição do cálcio, do fósforo ou da vitamina D que estão faltando eliminará a maior parte dos sintomas do raquitismo. A exposição moderada ao sol é recomendada. Se o raquitismo é causado por um problema metabólico, pode ser preciso uma prescrição para suplementos de vitamina D.Aparelhos ortopédicos podem ser usados para reduzir ou evitar deformidades.

O raquitismo tem cura e ela pode ser alcançada através da eliminação da sua causa, mas as suas consequências, como a baixa estatura, raramente podem ser revertidas.

Doença de Paget

A Doença de Paget é uma doença crônica que se caracteriza pelo crescimento anormal de determinadas zonas de um osso. Seus sintomas principais são a rigidez articular, cansaço, dor localizada nos ossos (com tendência a piorar durante a noite) e deformidades ósseas.

Esta doença, geralmente, aparece em homens com mais de 40 anos de idade e o aumento descontrolado pode ocorrer em qualquer osso, embora seja mais frequente no crânio, fêmur, tíbia e coluna vertebral.

Sintomas

Os sintomas variam de acordo com o osso afetado. Alguns deles são:

  • Dor nos ossos e articulações;
  • Deformidade nas articulações;
  • A região afetada pode estar quente e inchada;
  • Fraturas ósseas frequentes;
  • Aumento da cifose da coluna (corcunda);
  • Deformidade nas pernas, deixando-as arqueadas;
  • Surdez, causada pelo aumento dos ossos do crânio.

Qualquer osso que seja atingido por esta doença tende a ficar mais frágil e com maior risco de fraturas.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito através de radiografias e exames laboratoriais, como a fosfatase alcalina.

Tratamento

O tratamento é feito com a administração de analgésicos ou anti-inflamatórios para aliviar a dor, ou moduladores da atividade óssea nos casos em que a doença está mais ativa. É possível também recorrer a cirurgia para corrigir deformidades específicas.

Hiperparatireoidismo

O hiperparatireoidismo é um distúrbio em que as glândulas paratireoides localizadas no pescoço produzem muito paratormônio (PTH).

Causas

As glândulas paratireoides produzem o paratormônio. Esse hormônio controla os níveis de cálcio, fósforo e vitamina D no sangue e nos ossos. Quando os níveis de cálcio estão muito baixos, o corpo responde produzindo mais paratormônio. Esse hormônio normaliza os níveis de cálcio no sangue através do cálcio tirado dos ossos e também da reabsorção deste pelos intestinos e rins.

Uma ou mais glândulas paratireoides podem aumentar erroneamente a produção de paratormônio (uma condição chamada hiperparatireoidismo primário). Muitas vezes, a causa não é conhecida. Sabe-se que:

  • A doença é mais comum em indivíduos acima dos 60 anos de idade, mas também pode ocorrer em adultos mais jovens. O hiperparatireoidismo em crianças é muito raro;
  • Mulheres são mais propensas do que os homens;
  • Radiação na cabeça e pescoço levam a um aumento do risco;
  • A doença é raramente ocasionada por câncer na paratireoide.

Condições médicas que fazem com que os níveis de cálcio no sangue fiquem constantemente baixos ou que os níveis de fósforo fiquem altos podem levar ao hipoparatireoidismo secundário. As causas comuns incluem:

  • Condições que dificultam a eliminação do fósforo no corpo;
  • Insuficiência renal;
  • Falta de cálcio na dieta;
  • Perda de muito cálcio na urina;
  • Distúrbios relacionados à vitamina D (frequentemente observados em crianças com má nutrição, ou em adultos mais velhos que não tomam muito sol);
  • Problemas na absorção de nutrientes dos alimentos.

Sintomas

O hiperparatireoidismo é muitas vezes diagnosticado antes do aparecimento dos sintomas. Os sintomas são causados principalmente pelo dano que os altos níveis de cálcio provocam aos órgãos ou pela perda de cálcio dos ossos. Os sintomas podem incluir:

  • Dor ou sensibilidade óssea;
  • Depressão;
  • Cansaço, mal-estar e fraqueza;
  • Ossos dos membros e coluna frágeis, que podem quebrar facilmente;
  • Cálculos renais;
  • Náusea e perda de apetite.

Diagnóstico

Faz-se exames de sangue para procurando níveis aumentados de paratormônio (PTH), cálcio e fosfatase alcalina e níveis mais baixos de fósforo. Um exame de coleta de urina de 24 horas pode ajudar a determinar quanto cálcio está sendo retirado do organismo.

Radiografias e a densitometria mineral óssea podem ajudar a detectar perda de massa óssea ou fraturas. Radiografias, ultrassom ou tomografia dos rins e trato urinário podem mostrar depósitos de cálcio ou um bloqueio.

Tratamento

  • Se tiver níveis de cálcio levemente aumentados devido ao hiperparatireoidismo primário e não tiver sintomas, o paciente pode fazer check-ups regulares ou se submeter a tratamento.
  • Se decidir pelo tratamento, este pode incluir:
  • Ingerir mais líquidos para evitar a formação de cálculos renais;
  • Exercitar-se;
  • Evitar alguns tipos de diuréticos;
  • Passar por cirurgia para remoção de glândulas paratireoides superativas (recomendado para pessoas abaixo dos 50 anos de idade);

Se apresentar sintomas ou seu nível de cálcio estiver muito alto, pode ser necessário que o paciente passe por cirurgia para retirada da glândula paratireoide que está produzindo hormônio em excesso.

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